quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A SINA DA MENTE

Vai mente...
Cria mente...
Reinvente...
Pense...
Despregue da inércia
Não fique com cara de demente,
Faz das letras uma festa
Desfaz o que está escrito...
Tão esquisito

Vai mente...
Acorda...
Ta na hora...
Corra contra o rio...
Desse enorme vazio,
Sente sua força
E desemborque no seu leito
Cheque ao deleito
De quebrar os paradigmas

Vai mente...
Modifique o feito...
Imagine colorido...
Desenhe e mude de lugar
Os pensamentos antigos
Alugue o mar...
Como suas ondas der voltas...
Na memória
Faça outra história

Vai mente...
Pegue as criações escritas
Jogue fora o que não combina
Transforme o resto em rima
Pra ficar mais bonito
Esse é o verdadeiro sentido
Da sua vida
Voe na imaginação
Faça valer a criação

Levanta mente...
Ou vai ficar doente,
Embaralhe os símbolos...
As vogais e consoantes...
Não esqueça os números...
Seres tão importantes,
Que tudo vire nota musical
Assim é sua sina ideal.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

NO RABICHO DO PAPAGAIO COLORIDO



No rabicho do papagaio colorido...
Lancei ao vento os meus pensamentos
Amarrados naquele trançado colorido...
Feito de fitilhos
E voei alto
Naquele bailado lindo
Entre o menino
E o carretel
Fez uma ponte no fio
Da linha do papagaio
Balancei, dei rumo e desgovernei...
Aquele hexágono esticado
Viajei naquele papagaio de papel
Quebrei as cordas do dia
Apostei na alegria
E corri com os olhos os tetos
Das casas e dos prédios
E vi como é duro ser adulto.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

ÁRVORES DO AMOR

Quando jovens apaixonadas
Viviam separadas
Só se encontravam quando o vento batia
E trazia os galhos para perto um carinho
Que roçava um pouquinho,

E o vento tanto que bateu
A chuva rara de pingo caiu
A areia branca de praia umedeceu
E as árvores do amor muito cresceram...

E o tempo passou e velhas ficaram...
Seus troncos enrugaram...
Partes das copas desfolharam
Mas, algo não se perdeu...

E o amor de tão grande eclodiu...
Suas raízes do quente e salgado chão
E o improvável encontro aconteceu
Mesmo cansadas se juntaram
E as leis da vida contrariaram...

E num grande abraço se apoiaram
E se roçaram tanto que se entrelaçaram
Tal qual um homem e uma mulher
No alto da paixão e da libido,
De uma forma extravagante e misteriosa

Trazendo uma lenda na história
Para quem nela se encontra
De não haver separação dos casais
Assim como as árvores do amor
Que juntas até a morte...
Jurarão para sempre ficarem.

terça-feira, 29 de julho de 2008

MEU JOVEM GUITARRISTA

Como é bonito vê-lo
Nos acordes iniciais
Seus dedos magros...
Compridos...
Corre que nem um esquilo
Apressado e sabido
Sobre as cordas dessa moça
Brilhante e delgada
Que se traduz uma negra guitarra

Você é meu orgulho
Tudo que mais gosto
De gosto musical
Eu lhe considero
Meu ideal de menino
Adoro ouvi-lo
Mesmo que ainda desafinado
Faz-se alto nos meus ouvidos
Cada nota um carinho

Meu jovem guitarrista
Aposto tudo em você
Tenho tanto o que dizer...
Incentivar...
Mais prefiro sentir... Ouvir
E aprender com você
Sei que a guitarra
É uma paixão
De seu coração

Meu querido instrumentista
Sou sua fã
A mais vibrante
Talvez você não saiba
Como escuto suas notas
Que brotam sozinhas inibidas
Como jovem artista
No intimo do seu mundo
Vive um rapaz puro e de muito talento

sexta-feira, 25 de julho de 2008

REENCONTRAR UM AMIGO

Que prazer amigo
Reencontrar você
Quase por acaso
Assim como no passado...
Em que eu e você
Bem jovens nos achamos

Vou te contar...
Do jeito que hoje sei expressar
Minhas vontades...
Minhas saudades...
Minha realidade
Sobre o que meu coração hoje ver

Estamos tão diferentes...
Alguns cabelos desbotados
O meu constantemente pintado
Marcas no rosto de bronzeado
Corpo meio que mudado
Tudo culpa do tempo

Nada disso importa agora... Só as lembranças
E o reencontrar amigo
Mesmo por que meus olhos já não ver somente o bonito
Hoje enxerga o olhar mais profundo...
Tento penetrar na alma
E tocar o que mais faz sentido.

Nem sei por tanto que andou
Por esse mundo sem porteira
Quem lhe acompanhou?
O que encontrou
Nessa busca aventureira
Entre o céu e a natureza?

Será que a felicidade foi fisgada
Firme e forte
Com coragem e vontade?
Ou muitas vezes escapou dos dedos
E se sentiu perdido e sozinho
Sem nenhum amor e amigo?

Muitas vezes lembrei de você
Do meu tempo de adolescente
Boba e ingênua
Sem qualquer coisa na cabeça
A não ser fantasia de menina
Preza a família severa

Sonho e imagino-me voando...
E pousando em diferentes lugares
Conhecendo e abraçando
O mundo e as pessoas...
As mais estranhas...
Com comportamentos diferentes.

Caio em mim e estou escrevendo...
Não tenho mais pensamento que não seja rimado
Quando estou triste, feliz ou indiferente...
Corro ao computador e me transformo...
E me transporto aonde eu queira estar...
E começo a digitar os sentimentos.

Sabe de uma coisa...
Hoje ainda tenho alma de criança
Gosto de brincar...
Correr...
Soltar-me ao vento
Devorar doces e chocolates.

Na realidade...
Passei por duas universidades
Que resultou num diploma
Que vive na gaveta
Não me trouxe grana nem fama
Só promessa aos meus pais cumprida

Na vida encontrei um amor...
Não sei se perdurará para sempre
Mas vamos seguindo em frente
Mesmo porque germinou dele
Um cravo e uma rosa
Que é um grande presente

E com eles nunca estou só
Todas as manhãs, tardes e noites...
Vou cuidando, podando e tratando...
Com muito carinho e amor
Para que nunca percam o perfume
O brilho e a cor.

Assim sou diante do tempo que passou...
E vivo da arte do jogo com palavras e rimas
E do meu cravo e rosa
Que são as minhas maiores paixões...
E razão
De viver seguindo com meus pensamentos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

OS DIAS SÃO COMO PÁGINAS DE LIVROS


Que vamos folheando...
A nossa história em curso
Sabemos o que foi lido...
Imaginamos o que será dito...
O que será vivido

Às vezes choramos...
Rimos...
Brincamos...
Ficamos doentes...
Ausentes
E buscamos voltar às páginas
Que ficarão amassadas
Com as decepções

Tentamos apagar o que foi lido...
Vivido... Dito...
Mas pra essa tinta não tem borracha
Nada apaga
Pensamos em arrancar a página...
Mas não adianta
Ela é numerada
Pra sempre está marcada

O livro da nossa vida
É o mais importante...
O mais delirante...
O mais penetrante...
Não importa a cor das páginas
O que vamos encontrar cada dia
Devemos ler com coragem e alegria

Não sabemos quem escreveu...
Como vai terminar...
Temos que nos conformar
E apreciar com muita atenção
A história... Que não tem volta
Senão ao final...
Não lembraremos o que foi lido
E vivido pelo protagonista.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

TALVEZ UM DIA

Talvez um dia...
Haverá mais harmonia
Mais consciência
Mais aproximação
Mais reunião de irmãos

Talvez um dia...
Seremos mais animais
Seremos menos humanos
Seremos mais sinceros
Seremos menos sérios

Talvez um dia...
O mundo irá parar
E todos se tocarão
Do que tem importância
E só assim darão as mãos

Talvez um dia...
Ouviremos mais
Brigaremos menos
Respeitaremos mais
Trairemos menos

Talvez um dia quem sabe...
Viveremos todos bem
Viveremos todos saudáveis
Viveremos as pazes
E o amor de Deus.


segunda-feira, 16 de junho de 2008

O ÓCIO

É preciso ter ócio
Pra entender o oficio
De não fazer nada
E aflorar
As idéias que quimera

É pura utopia
Agir sem saber
E querer infringir
A importância do ser
Em relação ao ter

No ócio tudo acontece
É só se achar
E buscar o rabisco
Dos riscos que como chama
Inflama-se na mente

O ócio referido...
É coisa de pensador...
De poeta... Cantador...
De artista e compositor
Que vive o amor.

NOSTALGIA

Oh! Porque insiste em mim agora?
Peço que vá-se embora
Estou mais do que dolorida
Dos meus pais doces lembranças

Ide... Parta...
Esvaia-se do meu peito
Já estanquei minhas lágrimas
Meu poço está seco

Dá-me um pouco de repouso
Só me acho num só canto
Estou num enorme fosso
O da triste solidão

Sai! Não fiques mais comigo
Procure outro abrigo
Ou se entregue a um suicídio
Mas não mate meu coração

MEDO


Eu sinto medo...
De doença...
De fadiga...
De intriga...
De maldade...
De inveja
Da velhice...
Da natureza morta...
Da falta de carinho...
Da falta de olhar...
Dos meus filhos me deixar...
De ficar sozinha...
De não ver meus netos...
De não ter uma mão pra pegar...
De perder o entusiasmo...
De perder a razão...
De ficar sem memória...
Esquecer minha história...
De sair...
De não voltar...
Não ter mais quem beijar...
De perder a fé em Deus...
De ficar sem visão...
Sem sonhos...
Sem fantasia...
Sem alegria...
De não viver...
Mais por querer...
E não sentir estar aqui.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A PONTE


Ponte que interessante missão...
Pra que serve ponte...
Pra passar num incessante
Vai e vem

Ponte pequena...
Ponte longínqua...
Simples de madeira
Complexa de tecnologia

Ponte pra unir
Pra facilitar a ida e vinda...
Das pessoas vivas
Por baixo e por cima

Ponte essas que salva...
E que dar nova vida... Safena
Outra Flutuante...Aérea...
E submersa depois de uma guerra

Ponte que trás...
O novo e o antigo
Marcando a história de um povo
Feliz e sofrido

Ponte de rio... De correntezas...
De mar... De amor... De amizade
De pedágio... De tráfego...
Horrendo e apressado

Ponte com muitos sobrenomes...
Algumas muito famosas...
Goldem Gate, São Francisco, Rio Niterói,
A nossa, Newton Navarro

Ponte, não importa seu sobrenome...
Que se chame à ponte de todos
Pois você não tem dono
Sua missão é unir e servir.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

PASSA E FICA


Diz o nome
Por que é cidadezinha
Bem Bonita
Impossível de não parar
Quando nela passar

Tem uma rua comprida
Que nela basta
Pra caber sua existência
De tão pequena
A vista alcança e logo acaba

Uma gente...
Contente e sorridente
Bonita e divertida
Que sabe o que guarda
Nos amontoados de rochas

Tem a pedra da boca...
Dos olhos...
Dos ouvidos...
E da devoção...
Em nossa senhora de Fátima

Um choque natural
Com caminhos estreitos
Feitos de aguaceiro
E vegetação rasteira
Com casebres... Ponte e gente

Que dá o acesso para as pedras
Com formatos engraçados
Basta ter olhos para enxergar
Suas caras e mistérios de Fé
Dos romeiros no mês de maio

Ao subir no santuário
Escondido no alto
Sente-se uma emoção profunda
Que traduz o medo e a grandeza
Do clamor da natureza.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A PERDA PRA MORTE


A perda pra morte...
É a mais dura das perdas
Dá aquela certeza louca
De nunca mais rever aquela pessoa

Ai vem o arrependimento...O remoço
Do que deixou de ter feito...
E os olhos ficam embaçados...
Em lágrimas... Afundados

Por que deixar pra depois os encontros?
Ponha chão nos sonhos afetivos
Estique as horas... Os minutos... Os segundos
Para estar mais próximo

Sinta... Toque... Escute...
Entregue as mãos ao enlace
Esqueça das lamúrias das faces
Da desgraça e maldade

Junte os entes queridos
Os jovens e os idosos
Compartilhe as experiências e o teto
Não deixe pra depois...
Viva o agora com quem você adora

sábado, 3 de maio de 2008

À MINHA MÃE...

Minha querida,
Fomos muito amigas
Nesta vida

Deste-me conselhos
Importantes
Que passarei adiante

Ensinou-me a servir...
A ser mãe como você...
Doce, sincera, muitas vezes uma fera

Fera para defender a prole
Incondicionalmente
Sem limites

Ensinou-me a estar disponível
Todo o tempo
Para o amor e o rebento

A ser sonhadora com o futuro
Compartilhado
Entre todos do ninho

Minha mãe Julieta
Não foste de Romeu
Mas de Ezequiel

Com quem uma vida inteira...
Viveu, amou...e na doença cuidou
Até a hora que deus chamou

Ensinaste-me a ter fé
Na suprema das mães
Tomo como lição e virtude

Com a virgem Maria
Pego-me todo os dias e noites
Rogado por você

Ficava tão triste...
Ao vê-la sofrer com a enfermidade
Como uma Luz fraca e persistente

A santa que me consola...
Fez-se você na aurora da vida
Quando estávamos juntas

Mãe não está mais com a gente
Depois de tanto sofrer
Sem consciência e vigor

No mês de maio...
Das mães, Das novenas a Maria...
Você partiu.

Mãe nunca vou te esquecer...
No dia a dia... Nas noites...
Com meus filhos precisando de mim

No abraço... No afago...No incentivo
Nos conselhos... No seu colo
Que era nosso abrigo

Se agora, saudosa...
Falo de ti com gratidão
Para sempre sua presença estará em mim.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

SIMPLESMENTE MULHER





Nada de extraordinário
Somos simplesmente mulher
Nem tão frágil nem tão forte
Que possa se julgar diferente dos homens
Ou especiais.

Somos seres normais
Como tantas criaturas que compõe a natureza
Cada vez nos tornamos mais reais
Estamos provando no trabalho com muita criatividade
Que podemos contribuir de forma definitiva
Com a ciência e tecnologia.

Tantos anos adormecidos
Escondidos e resumidos a um adjetivo...
O de que éramos apenas mães...
Donas de casa desacreditadas, medrosas...
E submissas nos criávamos oprimidas

Hoje com a incumbência e lutas modernas
Nós tornamos fera liberta
Ganhamos muitos adjetivos
Usamos o emocional para sermos valorizadas
E compreendidas dentro de casa e na rua.


Perdemos alguns dos encantos naturais...
Cada dia uma surpresa que se chama de beleza
Tudo artificial pra compor o visual
É cabelo pintado... O corpo modificado
Tudo para agradar o ser amado.

terça-feira, 22 de abril de 2008

O MAR E O SURFISTA

De todos os cantos do mundo
Encontro-te no fundo
De um mistério profundo
Faz parte de seu mundo
Num belo dia liso
Como um fio

Nas suas ondas
Altas e baixas
Deslizando nas cristas espumadas
De cascalho de conchas
E areias douradas
Que desemborcam na praia

Embaralhando-se nos sargaços
Flutuando no ar
Com a prancha desliza
E se faz uma ilha
De coragem e audácia
Só você e o mar.

Surfista
Vendo-te desnudo...
Sinto vertigem... Emoção
Nos seus gestos
O corpo oscila com o vento
E quase some por um momento

Exala cheiro de parafina...
De maresia...
De fumaça...
De sol e pele bronzeada
Que o sal transformará em escamas
Quando não for mais essa linda criança.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A FLOR E A ROSA

Flor puro amor...
No perfume...
Na cor...
No estilo...
No estame...
E no sexo elegante.

A rosa é toda estilosa
Só quer ser a mais pomposa
Cheia de pétalas em camadas
Cheiro tem... E tudo guarda...
Amor... Carinho e criaturas apaixonadas

A flor não tem espinhos
Mas nem por isso é mais colhida
Já a rosa apesar dos seus espinhos
É muito cobiçada e ofertada
Por pessoas interessadas
Em impressionar a amada.

As Rosas rubras as mais belas...
Desabrocham as paixões
Nos momentos de fantasia
Enfeitiçando as donzelas
E as mulheres feitas
Que conhecem a delícia de carícias

Mas na verdade não importa a cor...
Nem o fato de ser rosa ou flor
Todos gostam do perfume
E do frescor
Numa manhã de verão
Não tem quem resista à natureza e sua criação.


PEGADAS POÉTICAS






Passadas as pegadas...
Do andarilho de sonhos
Entre poeiras e vento
Do enorme cata-vento

Vou ao passo de minhas escritas
Lentamente tomando rumo
Aos sentimentos que brotam do fundo
De meu peito

Penetro no meu ser
Paro aqui e acolá
Para tentar achar as rimas
A qual se destina

O silêncio se instala
No vazio de minha alma
Sofro, penso e reflito...
Nublo meu pensamento

São dias claros...
Tardes longas...
Noites escuras...
Sem estrelas e luas

Oh! Prosseguir difícil
A imaginação persistindo...
Olho em volta... Dito minhas dores e amores
Sigo eu poetizando.

Deixo os meus dedos deslizar
No teclado do computador
Focalizo sem piscar
Vou me esgarçar

Brinco de realizar
O que a imaginação me faz criar
E no momento de angustia
Olho-me e estou no mesmo lugar

Em cada final há uma confirmação...
Poeticamente vivo pelejando
Em esvaziar os meus anseios
Oh momento de desassossego!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CARROSSEL DE SONHOS

Os sonhos são como um carrossel
Cheio de cores, brilhantes, vivos.
Mais que passam girando...
Rindo... Dando gargalhadas
De quem perdeu de realizá-los

Num impulso, num salto...
Muitas vezes num embalo
Temos que embarcar
E agarrar firme no carrossel

Para podermos também dar risadas
Gargalhadas e concretizar
O que se imaginou naquele papel
Transformá-los em verdade
Antes que cheguemos à insanidade da idade.

PEDRA, ÁGUA E EU...


Pedra, água e eu...
Sou como pedra...
Dura e forte;
Sou como água...
Limpa e mole;
Sou como o mel de abelha...Sou nobre.

Natural do seridó de caicó
Sou fruto da cana caiana
Gosto de Queijo qualho
De manteiga de garrafa
De carne de sol assada
De longas conversas...De alegria e festas

Gosto de feira... De gente alta e esbelta
Que carrega na algibeira
Muita devoção, fé e crença...
Na bendita rezadeira
Que com o terço na mão
Afasta qualquer mau olhado.

Sou descendente de antigas patentes
De major e coronéis...
Que guardavam moedas de ouro
Em potes de barro
Que no tempo ficaram perdidos
Mais ainda deixaram vestígios.

Gosto de bordado... De renda...
De gente prendada e arrumada
Que adora se enfeitar
Com lindos vestidos exclusivos
Vindos de mãos criativas e caprichosas
Que é comum em meu seridó.

Sou pedra... Água...
Sou fruto da minha terra...
Seca e raramente molhada
Mais tenho um oásis dentro de mim
Por que eu sou similar a tudo isso
Eu sou mesmo assim.

terça-feira, 15 de abril de 2008

CADÊ?


Cadê meu pai?
Minha mãe?
Meus irmãos?
Minha sombrinha?
Minha mala?
Minha viajem?
Meus sonhos...
De ver aquela linda paisagem?

Aquela menininha
Que andava de calcinha
Muito loura e branquinha...
Caminhava na calçada
Cabecinha de vento...
Adorava ficar ao relento...

Quando ficava escuro pra chover...
Corria na rua contente
Contra o vento quente
Daquele sertão castigado
Pelo sol e pela simplicidade

O vento trazia uma enorme poeira
Um lar de interior
Uma família comprida
Que não conhecia a vida
Da cidade pra onde iam
Naquele ano de tempestade.




CÉU DE ESTRELAS


Busco no céu desde menina
Entender o movimento da terra
Ficava na soleira da porta de interior
Fitando aquele brilho
Que parecia misterioso e esquisito

Não compreendia
Nem ainda compreendo
Onde vamos parar...
O que nos faz continuar

Buscamos resposta nas estrelas
Imaginamos discos voadores
E vida em outros planetas
Somos infinitamente pequenos
Diante desse imenso céu estrelado

Vivemos de criar...
Sonhamos com respostas
Para todos os nossos dilemas
Somos sós ou estamos acompanhados
Nesse enorme e escuro buraco.

Gostaria de ser um pássaro
Para voar bem alto
Bater minhas asas com toda força
E ser maior que minha imaginação.

LÁ VOU EU POETIZANDO...

Viva a poesia!
No seu dia...
Quem diria...
Eu estou com alegria...
De viver poetizando...

Sobre nossas aventuras...
O amor pela criatura...
Pela minha família
Pela natureza...
E qualquer forma de beleza

Lá vou eu poetizando...
Com os sonhos me levando
Sigo com meus pensamentos
Mato o tempo... E desafio
O meu íntimo

A tristeza driblando
Vou seguindo como um rio
Quero viver o mundo
Vou cortando os caminhos
Lá vou eu poetizando.