sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

TRAVESSIA INEVITÁVEL

De nada adianta se refugiar
Tentar não pensar
Tudo há de aflorar
Pra quê enganar o momento
Se tudo pode se transformar num enorme deserto
Ou um oceano de inferno
Ainda um céu sem mar

Efêmero medo
Bobagem trás desassossego
Que me atravessem nos trilhos...
Murmúrios de movimentos de pernas
No arfar cansado dos amantes
Na quebra dos ouvidos viciados
Pela linguagem sem sentidos

Que a palavra poética atravesse
O ato de calar inútil
Inefável pronunciar da linguagem escrita
Sinto eu a viajem da travessia
Entre a realidade e a fantasia
Que me dá tanta alegria
Quando estou sozinha.

domingo, 25 de outubro de 2009

SOL POENTE NAS ÁGUAS DO POTENGI

Que maravilha a natureza...
Alvorece e adormece
Encenando fabulosos espetáculos
E para os poetas
É mais que um presente
É o que nos faz contente
E ainda... Diferente
Pois, no íntimo vamos traduzindo...
Rimando conforme sentindo
Esse formoso sol se indo
Sobre o rio potengi

Hoje, em meio ao abandono...
Vem sofrendo com o descaso e maus-tratos
Do seu grande povo
Mas, ainda promove muita vida...
Distribuindo beleza
Corre enorme e vasto
Dividindo a zona sul e norte
Das mais famosas praias
Tesouro que não tem preço

Um dia trouxe nas margens
A padroeira da cidade
Para os humildes crentes
Fervorosos nessa santa
Que se deleitam com esperança
Vendo esse encontro toda tarde
Como que fosse uma rede
Sempre armada
Nas suas águas claras
Pode-se ver até um balanço
Do encontro que acolhe
E acasala nas tardes
Essa bola de fogo Brando
Dentro do querido potengi.

domingo, 18 de outubro de 2009

TIMIDA À TARDINHA

Tímida à tardinha
Que cai sozinha
No mês de agosto
Mas não de desgosto
De brisa e ventania

Cai à tarde...
Com seu tom dourado
Despede-se com o por do sol
A brisa fria se faz sentir
Amores banhados pelo arrebol

O último pio da ave avisa:
Cai à tarde!
E ninguém percebe
O dia que não nos quer mais ver
Onde será que ele foi se esconder?

Cai à tarde
E tudo parece estar no limite do fim
Como é estranho o escurecer
A despedida, descompondo a claridade
E os sonhos ficando para mais tarde

AMOR NASCENDO E MORRENDO

Ainda que o amor nasça
Tempo de amor dilacera
Em qualquer primavera

Ainda que o amor proclame...
Nem sempre ele ame
O outro sofrendo fere

Ainda que o amor chame...
Partindo segue sozinho
E as lágrimas se fazem rio

Ainda que o amor confesse...
Ser eterno e sincero
Contradiz-se tarde ou cedo

Ainda que o amor
Em desamor, tempo de amor será
Não perdurará.

O amor é sofredor...
Nascendo espesso como um arvoredo
Vive nascendo e morrendo

E à medida que o tempo passa
Muita coisa se desgasta
E o tempo se fará contratempo.

IMAGINAÇÃO BENDITA E CRUEL

Sempre pensando em mim não é?
E eu em você
Que bom!
Ter a certeza que sou lembrada por você,
Mesmo que nossos laços sejam amarrados a outras pessoas
Vira e volta, estamos a solta.

Ah! Minha inspiração bendita e cruel,
Bendita quando me eleva ao céu do prazer de escrever...
Cruel quando faz sofrer o coração nos momentos de solidão

Quando penso em tudo que existe de perfeito
E mesmo assim caminhamos sem jeito
De um encontro mesmo que casual
De uma forma física e sensual

Minha vida está transformada em mera poesia
E dessa forma corre os dias
Fazendo com que eu viva em plena fantasia

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

OS IPÊS DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO

Vão florir os ipês
Quando setembro chegar
Ipês cor de rosa
Ipês amarelinhos
Árvores e flores, bosques e caminhos...
Quando chegar setembro...
Tudo florido
Pássaros e borboletas, céus claros ou profundos...
A poesia no coração ecoando
Sensibilidade e emoção
Vai dentro do meu coração

Eu me aposso dos elementos interessantes
Em setembro todo um semblante
Os ipês alheios à verdade cotidiana
Em contraste do azul do céu
E o verde transformado da beira da estrada
Um acróstico amarelo
E um rosa arroxeado
Perante meus olhos
A mais completa poesia da natureza

Sabiás em sinfonia matinal
Sobressaem-se ao barulho da cidade que acorda
Cortando um pedacinho da mata atlântica
No coração da zona sul de Natal
Na beira da estrada
Pobres sobreviventes
Os ipês insistem e renascem em florir
Um casal de corujas de camarote espiando
Sem nada poder fazer
Ao ruído ensurdecedor dos automóveis
Que passam apressados no campus universitário
Eu no meu carro vou apreciando
A dádiva de todo dia ver florir
Os ipês de setembro.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

OS VERSOS DE VELUDO

Que minha boca exprima o dizer
Ao sentir os versos que fiz pra você
Foram talhados em pedra preciosa
Com esmero brilhante cor de rosa

Com dolência de roxo veludo
Fui fundo nos meus absurdos
Os versos ditos se espalhou pelo mundo
Todos encontraram no caminho

Os versos foram feitos pra te endoidecer
Pálidas caras sem crer
O amor entregue... E você não ver
Guarde os versos que fiz e que me fizeram feliz.

CADA FLOR COM SEU AMOR

Cada um florir como for
Cada flor
Com seu amor
Se eu pudesse em cada flor florir
No desabrochar dos jardins...
Na rua e na praça
Graciosa presença
Do mais puro orvalho

Cada flor tem sua cor
Mimosa pétala de vida
Primavera querida
Que anuncia a estação colorida
Não há bem que em nós não venha
Rosmaninho e a nardo
Inebria com seus cheiros
Convidando pro abraço

Enchi de rosas cor de rosa os cabelos
Despi meu campo inteiro
De estamenha
Vesti um manto de seda
Ando árvore tonta a sua espera
Meu coração aberto em flor
Deixa eu te vogar ao sabor calmo
Do meu rosal da vida

sexta-feira, 17 de abril de 2009

FALTA DE SONO


Quando desce o véu da noite
A tristeza aparece
Vejo-me na escuridão
Como os pássaros, recolho-me ao ninho...
Moribunda nostalgia
Sinto quase um abandono
Com a falta de sono

Na noite alta e calada...
Gostaria de criar asas
E ver todas as baladas
Com gente vencendo o sono
No meio de muito calor humano

O medo mobiliza
O coração se agita
A cabeça traz todas as lembranças
Ansiedade de muitas espécies
Eu não fico bem comigo
Falta um carinho amigo.

A falta de sono maltrata
Esperneia na cama
Tirando o ar
Quase uma prisão domiciliar...
Sinto vontade de sumir entre os lençóis
E não ser mais só.
Em meio à falta de sono










quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

LINGUA

Língua...
Língua divina... Bondosa
Língua pátria... Gentil
Língua ferina... Perigosa
Língua que maltrata
Tem uma que cura

Língua...
Trava língua
Língua solta e a que cala
Multi língua
Língua dita e escrita

Língua...
Língua que lambe
Que conhece o doce
O amargo...
O sal...
O gosto ideal

Língua...
Faz-me cócegas
No céu da boca
No beijo...
Deixas-me louca

Língua
Pronuncias as palavras
De forma concebível
Para que eu possa dizer
E no gosto sentir
Como é bom ter você

PARTIR ANTES QUE FUGIR

Partir...
Sem demora
Livre do desejo
Com a consciência plena
Sem culpa ou temor

Partir...
Porque é chegada a hora
Ir embora com coragem
O fogo já apagou
Nada mais a acender

Partir...
Sem despedidas longas
Sem pesar no rosto
Sem malas arrumadas
Só as lembranças guardadas

Partir...
Sem desconsolo
Sem choro
As portas estão fechadas
Enclausurado coração

Partir...
Por fora e por dentro
Antes que saia sem alento
Antes que tenha que fugir
E partir ferido.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

MUDANÇA TARDIA

Não me impeça de pensar...
Não me peça pra parar...
Não me queira sem rimar
Pois só assim eu sei amar

Não queira uma mudança tardia
Pois sem pensar com rima...
Eu posso parar...
E sem poesia...
Vou padecer e nunca mais viver

Nas janelas não vou ver mais sol...
Nem flor
Muito menos beija flor
Não desmonte meu coração
Eu sou mesmo um poema de emoção.





AS DORES DA ALMA

Ai! As dores da alma...
São profundas
Acontecem derrepente
Um amor que não se tem
Ou mesmo perdido por alguem

Um desgosto de filho...
De pai...
De mãe...
De marido...
Ou aquela profissão...
Aptidão que não se concretizou

Ai que dor na alma!
Não há quem agüente...
Vai se apoderando de mansinho
E dói tanto que nos põe demente
E vamos tornando-nos ausentes
Pro mundo

E como conseqüência...
Surgem a depressão...
O mau humor...
O choro sem consolo...
E a vontade de morrer
Deus nos livre dessa dor.