domingo, 5 de dezembro de 2010

MOSAICO DE GENTE


Foi fazendo mosaico que eu entendi...
Mosaico é coisa de doido
Quebra-se em pequenos pedaços
Para formar um novo
E assim é gente...

Vivemos quebrando e nos quebrando
Em gente...
Miúda...
Ferida...
Esmigalhada...
Somos pedaços de nada

Horas alegres e contentes
Horas tristes e sofrentes
Vivemos tentando nos reconstituir
Pedacinho aqui e ali
E haja colar pra unir

Somos pontas agudas
Círculos imperfeitos
Retângulos mal feitos
Figuras sem nexos
Bichos sem sexos

Somos o que imaginamos
Ser ou o que queremos
Seres problemáticos
Com todos tipos de lados
Somos uns quadrados

Ou somos avançados
Num tempo sem tempo
Estamos fora do tempo
Ou marcando tempo
Nascemos contra tempo

Oh bichos feridos...
Cortamos o nosso próprio amigo
Somos traidores da lealdade
Vivemos inventando maldade
Inveja é algo comum
Sobrevoa as cabeças mais que anum

Na verdade é tudo coisa da leviandade
Se pensássemos como bichos
Não sairíamos tão quebrados...
Das horas em que partimos e abrimos
As mágoas e as feridas
Não seriamos mosaicos de gente
E sim mais sólidos e contentes.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ESPELHO


Retrovisor
Ver o que ficou pra traz
Ou o que está por vir a traz
Tanto faz

Espelho d água
Luz calma
E prateada
Foi onde tudo começou

Espelho de cristal
Sofisticado
Um dos mais clássicos
Quebra que nem por acaso

Espelho encobre
Alonga, deforma...
Ilumina, define o ambiente...
E aumenta e o transporta

Espelho mágico
Magnético, atrevido...
Você se sente bonito
Desde o principio

Espelho da alma
Cada um carrega na áurea
Olhos que fala
Porta de entrada.

FLOR DO MATO



Meio pétala
Meio espinho
Cheiro de passarinho
Voando sem pé no galho
Sou flor do mato

Adoro ver seu chão
Batido
Ou molhado
Em qualquer ocasião
Cheiro de mato

Vê-se cinza e seco
Sonho com verde
Se o fruto é maduro
Colho e chupo
Mato a sede

Flor do mato
Arruado enfileirado
Na beira da estrada de barro
Casinhas com cata-ventos
Coloridos e pequenos

Sou flor do mato
Matuto e profundo
De gente simples
E contente
Que faz da vida um repente

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

FIM DAS HORAS


Aquieta-se em silêncio
É o fim das horas
Mais um dia que vai embora
Dando lugar ao cansaço

Tudo está passado
Se, ficou algo inacabado...
Não será mais resolvido
Amanhã terá outro sentido

O coração diminui o passo contente
Nos braços do sol poente
Recolhem-se as palavras no vagar
O dia sem fulgor já não pode dar.

Lembranças em mim emergem
No fim das horas dessa tarde
Sinto um pouco de abandono
Um frio de solidão

Ao ver quebrar o mar contra esta praia de ponta negra
Em mim um fino rio corre de poema
Tempo escoa, tudo voa...
Junto com toda essa areia

Embolo-me em pensamentos e letras
Olhando o infinito
Caminho pelo céu vermelho e amarelo
Recolho os sonhos junto com à tarde

O crepúsculo prevalece
Luzes artificiais brilham dando um realce
Entre prédios, casas e ruas...
Posso ver o fim das horas dessa tarde em mim.

domingo, 4 de julho de 2010

A DERROTA DE UM SONHO



E tudo não passou de uma derrota
De milhões de sonhadores
Que acreditavam numa promessa
De onze meninos bem pagos
Que iam trazer uma taça

E foi pranto e lágrimas...
De quem viajou longe...
E de quem ficou
Torcendo pra ser vencedor

E se correu muito...
E nunca se chegou
Bateu... Subiu e não entrou
Falaram e não se escutou...
Era mais forte o orgulho

Em momentos estava-se certo
O caminho não era fácil
A África é selvagem
Mas era a Holanda
Que se fazia fera

Era fim de tarde em Porto Elizabete
E todo grito solto ao mundo...
Silenciou
Calaram-se as vuvuzelas...
As gargantas brasileiras estavam roucas
De tristeza...

No começo do fim
Tudo de repente acaba
O Brasil chocado... Cabisbaixo...
Está com as malas do lado

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O GATO, O VIOLÃO E O MENINO




Rom... Rom...Dom doridom...
Rom... Rom...Dom doridom...

Dois acordes e um arranhão...
É o gato, o violão e o menino...
Assim fala a canção

Darwin é um bichano
Victor é um menino

O gato mais que meloso
De tão formoso é um tesouro
Vive dormindo pelos cantos
Nos acodes do violão de Victor

Não sai de sua companhia
De noite e de dia
Basta ouvir o violão
Que ele corre pelo chão

Quando os três estão juntos...
Dá muito som e aconchego
Nas cordas do violão

São duas melodias...
Que se juntam numa música quase única

Victor e Darwin são dois lindos felinos
Músicos perfeitos...
Que arranham cada um do seu jeito

terça-feira, 22 de junho de 2010

FALTA DE VONTADE


Não seja por isto ou aquilo
Melhor é que descida sozinho
Ressabiados e feridos
Estamos todos no duro lastro

Entre os ventos do sul e do norte
Lá vamos nós
Na amargura insalubre
Entre o frio gélido dos corpos
A dor persiste tamanha solidão

E pro mundo...
Hora somos cruéis e agressivos
Ouve-se um grito seco e mudo
Nos postamos soluçando feito menino
Será esse o destino dos que perderam a paixão

A opacidade não permite que vejamos o chão
Não se fala mais em coração
Calaram-se as estrelas e a lua foi embora
Não há mais poesia nem trova
Falta vontade de ficar ou ir embora.

NA INTERNET


Só louco vive assim...
Os internautas fora de si
Na net se faz e inflama
Vivendo colado na tela
Imagem falsa e tão bela
Talhando engodo e balela

Poesia de internet
A todos dizem que ama
Ascendendo a chama
Do outro lado plana
Anêmica a poesia míngua
Sem conformidade fica a revelia

Adentra selva obscura
Não se conhece o lado de lá
O mistério se faz sério
Quem será o amigo
Será que ele traduz o sentimento
Ou é falso seu apelido.

Conectados a noite entra e sai dia
Não se acha outra companhia
Das vidas alheias se vê tudo
Estão-se alegres ou tristes
Na net tudo se mostra
Só não se sabe se comprova.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O PARAISO CASTIGADO



Chora Eva
Chora Adão
Qual castigo merecido?
Foi o criador quem decretou?
Foi não.
Foi o homem destruidor

Chora mata
Chora chão
Chora bicho
Chora toda criação
Que desilusão...
O que esta havendo com o paraíso meu irmão?

Havia tanta fruta gostosa no pé
Agora só em garrafa se quer
Os rios cheios de peixes coloridos
Agora sofrem poluídos
As fábricas despejam seus bueiros
Tóxicos e fedidos

As praias invadem com seus braços
Já não podemos cantar o mar
Com suas ondas prateadas
O que se ver são enormes manchas pretas
O rico óleo está explodindo para o infinito

As geleiras não são mais brancas
Tem o colorido do lixo esculpido
Com a onda de calor...
Os pólos estão ficando quentes
Derrete febril nesse barril

Oh paraíso castigado!
Que tem suportado calado
Mas aos poucos está se revoltando
E até o criador esta implorando
Por Eva, Adão e todos outros filhos...
Para que não morram por seus pecados cometidos.

domingo, 23 de maio de 2010

TE DAREI UM POEMA

Te darei um poema
Desses com cara de cinema
Romântico efervescente
Que não te deixe mais ausente

Para que me ames pra sempre
Um poema de flor carmim
Rouge sem fim
Com pecado de anjos e querubins

Te darei meu bem
Um poema curto e preciso
Como um aviso de abalo cismico
Quero um pacto implícito

Só eu e você
Temos o tempo pra viver
Um poema sem medida
É o que mais me alucina.

domingo, 14 de março de 2010

O SOL




Sol quente ardente
Seus raios são flechas reluzentes
A mais linda estrela do nosso sistema...
Solar, que o descrimina

Sol,
Nosso pote de luz
Essa esfera de gás incandescente
Que nos dá tanta vida
Ao mesmo tempo em que pode queimar a gente

Sol,
Parece uma enorme bola de fogo
Um líquido quente em constante ebulição
Chegando a doer na pele e no coração
Dos que o perseguem sem razão

Sol,
Sua granulação fotosférica
Formam suas manchas solares
Que ciclicamente vivem onze anos
Suas linhas brilhantes se encontram na cromosfera

Sol,
Não nos deixe jamais
Não consigo imaginar os dias sem você
A terra e seus habitantes não iriam sobreviver
Você é a luz que irradia nossos dias.

sexta-feira, 12 de março de 2010

SILÊNCIO

Por favor, espere um pouco...
Silêncio!
Escute os pensamentos
Silêncio!
Olhe o frêmito
Silêncio!
Paz é o que todos querem
Silêncio!
Que não ouçamos mais nada
Silêncio!
A vida proclama por um pouco de calma
Silêncio!
Ver se para de balbúrdia
Silêncio!
Por que mexe-nos tanto a alma
Silêncio!
Mesmo quando a saudade mata
Silêncio!
Para os belos momentos
Silêncio!
Tem que ter arte para calar
Silêncio!
Com muita sabedoria provoca uma ação
Silêncio!
Quem falou um dia poesia hoje cala o coração
Silêncio!
É uma voz que está pedindo
Silêncio!
Quero ouvi-lo
Já cansei de esperar...
Vou silenciar.

AMAR



Que palavra doce de pronunciar
Ainda mais doce o sentir
AMAR...
Uma rubra face
Que incendeia quando permeia
AMAR...
Os corpos rijos ao se tocar
Quando querem se roçar
AMAR...
A mão quando quer acariciar
Com ternura e lisura
AMAR...
Encontro de olhares
No meio da multidão
AMAR...
Infinito, fraterno, maternal,
Jamais haverá igual
AMAR...
Gostar mutuamente
Querendo permanentemente
AMAR...
Pode ser em qualquer lugar
Não tem tempo nem hora
AMAR...
Propósito de vida
Gosto e alegria pela companhia
AMAR...
Entregando-se simplesmente
Como a uma poesia ou repente.

quinta-feira, 4 de março de 2010

MULHER DE DESEJO E FEIRA




Mulher que passa faceira
Leva consigo a cesta de feira
Cheia de desejos perfumados
E gostos cítricos e adocicados

Seu quadril parece uma taça
Que rebola, balança e disfarça...
A malicia de uma raça
Pura e mestiça

Mulher, na cintura fitas coloridas...
Tal qual o cabelo que trata com zelo
Escondendo os pesadelos
Das noites mal dormidas

A rua fica parada
Com seu jeito e risada
Todos seguem seu ritmo
Num bailado nordestino

Mulher solta ao vento
Busca no dia a dia sua independência,
Sua liberdade, sua identidade própria;
De porta em porta

Ser feminina que luta como guerreira...
Amiga e companheira
Na labuta incansável por seus ideais
De viver feliz com amor e paz.

CARNAVAL SEM FOLIA



Que me perdoem queridos foliões
Não sei ser bailarina, nem colombina,
Pois não tenho alerquim
Não sou mangueira, salgueiro nem beija-flor.

Seja alegre, ou seja, triste...
Lá vai mais uma poesia triste
Pois o carnaval para mim não existe
O que existe é a poesia que insiste
E tu não sabes como minha alma fica triste


Na folia de momo estive sempre de fora
Nunca sambei, batuquei me soltei...
Nem atirei confetis, serpentinas...
Na avenida nunca mostrei minha fantasia

O meu carnaval é diferente
Não saio toda pintada
Com um sorriso de máscara
O corpo a mostra sem pudor
Embriagado o desejo de soltar os fantasmas

Meu carnaval é de poesia
E não preciso de máscara
Pulo com rima no meu canto
Esperando passar o bloco do pranto

Já estou pronta para o baile
Com o sol pintarei meu corpo
Talvez no mar como sereia
Ou como tatuí na areia

Nas noites calmas dançarei com as estrelas
Brilharei como colombina ou vestida de menina
Buscarei minha folia
Nesses dias de louca alegria

Deixe estar trem da folia
Mesmo que não te pegue nunca
Sou viajante da poesia
E isso é pura alegria.

segunda-feira, 1 de março de 2010

ACORDO COM O TEMPO

Acorda tempo
Temos que fazer um acordo
Ver se dar tempo ao mundo
Pra vivermos mais um pouco

O mundo está ficando velho e cansado
Com tanto desaforo humano
Nas águas tem muito lixo
Até as geleiras estão se quebrando

O ar está cada dia mais poluído
Como vamos respirar...
Nesse céu de estufa
O clima oscila frio e quente às vezes doido

Falta decoro pras nações
Diante de tanta disputa
Apontam e desapontam as severas causas
Para quem mais deve e tem culpa

Lançam satélites ao espaço em busca de resposta
Quem sabe acabem no grande buraco
E não encontre mais outra morada
Depois dessa terra devastada

A natureza implora
E agora reclama e se inflama
Com força esta dando a resposta
A velhos, jovens e crianças...

A terra treme de tristeza
Sua fúria é sangrenta
Destroem moradas deixando desabrigados
Seus inquilinos estúpidos

Oh tempo do mundo!
Será que vai ser assim...
Em apenas um segundo
Transformado em um grande monturo será o seu fim.