quinta-feira, 4 de março de 2010

CARNAVAL SEM FOLIA



Que me perdoem queridos foliões
Não sei ser bailarina, nem colombina,
Pois não tenho alerquim
Não sou mangueira, salgueiro nem beija-flor.

Seja alegre, ou seja, triste...
Lá vai mais uma poesia triste
Pois o carnaval para mim não existe
O que existe é a poesia que insiste
E tu não sabes como minha alma fica triste


Na folia de momo estive sempre de fora
Nunca sambei, batuquei me soltei...
Nem atirei confetis, serpentinas...
Na avenida nunca mostrei minha fantasia

O meu carnaval é diferente
Não saio toda pintada
Com um sorriso de máscara
O corpo a mostra sem pudor
Embriagado o desejo de soltar os fantasmas

Meu carnaval é de poesia
E não preciso de máscara
Pulo com rima no meu canto
Esperando passar o bloco do pranto

Já estou pronta para o baile
Com o sol pintarei meu corpo
Talvez no mar como sereia
Ou como tatuí na areia

Nas noites calmas dançarei com as estrelas
Brilharei como colombina ou vestida de menina
Buscarei minha folia
Nesses dias de louca alegria

Deixe estar trem da folia
Mesmo que não te pegue nunca
Sou viajante da poesia
E isso é pura alegria.

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