domingo, 27 de outubro de 2013

EU E O VESTIDO VELHO






















RETORNANDO

Cá estou novamente me expondo
Queria simplesmente andar com meus pés
Caminhar por uma estrada verde
Queria estar totalmente descalça
Livre... Com um vestido velho e confortável...
Varrendo nos carrapichos e nos matos
Carregando comigo o cheiro da liberdade...
Os galhos secos, as flores murchas, se agarrariam a minha saia
Não daria satisfação a ninguém dos meus passos

Minha mente cheia de pensamentos ordenados
Rimas, frases agrupadas, hora se afinam hora se engrossam,
O sentimento do meu coração cinquentão
Já bateu tanto... Chorou tanto de alegrias e tristezas
Já perdi tanto... Estou novamente em prantos
Um sentimento medonho de quem só sabe quando sente
Os poetas não são gente...
São bichos aprisionados em corpos humanos

Tenho tanta saudade dos meus primeiros anos.
Retorno à poesia depois de um tempo
Estou enfrentando barras
Barras da idade, de compromissos sociais,
Estou em plena ativa do estresse
Não na ativa do que imaginei um dia

Minhas mãos estão cada vez mais soltas
E enrugadas, a vida está passando apressada,
Os dias enfadonhos com trabalhos sem fim
Desarrumam meus cabelos e me dá pesadelos
Que medo da melhor idade!







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